A ciência e as experiências mediúnicas de psicografias

“Um estudo inédito realizado por cientistas do Brasil e dos Estados Unidos investigou o cérebro de médiuns brasileiros com prática em psicografia (capacidade de escrever mensagens que seriam ditadas por espíritos) durante o estado de transe e também fora dele. Os pesquisadores usaram modernas técnicas e equipamentos de última geração para examinar a questionável e controversa experiência de comunicação com os mortos. A discussão indica que o cérebro dos submetidos à análise funciona de modo diferente. O fato de que os indivíduos escreveram conteúdos complexos, apesar de menor ativação cerebral em estado de transe dissociativo, sugere que eles não estavam só relaxados, e o relaxamento parece uma explicação improvável para a subativação que se verificou em áreas cerebrais relacionadas ao processamento cognitivo”

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Quando Nos Deparamos Com O Diagnóstico: Mal De Alzheimer

alzheimerO Mal de Alzheimer é uma doença cerebral degenerativa primária de etiologia desconhecida com aspectos neuropatológicos e neuroquímicos característicos. É um transtorno insidioso com desenvolvimento lento mas continuo por vários anos. É caracterizado pela perda progressiva das funções intelectuais. Inicialmente há uma perda de memória e posteriormente outras funções são acometidas.

Atualmente os medicamentos disponíveis auxiliam para que o progresso e a evolução da doença sejam mais lentos. Além das funções cognitivas afetadas, podem ocorrer alterações no comportamento do paciente (apatia, agitação, irritabilidade, agressividade).

Para o paciente, no início da doença, o sofrimento é bastante intenso. Suas crises temporárias de perda de memória, confusão mental e desorientação espaço-temporal o deixam bastante angustiado, inseguro, e com muito medo. Tanto o paciente como o familiar se deparam com “perdas diárias” tornando esse desafio uma prova bastante difícil de ser vivenciada.

A importância de todos envolvidos na doença Mal de Alzheimer serem assistidos por uma equipe multidisciplinar é vital para a manutenção de uma estrutura psicológica bem mais equilibrada diante ao diagnóstico.

O paciente necessita de muita entrega e dedicação do cuidador e/ou familiar, onde a paciência, compaixão e lucidez para o manejo com ele é extremamente fundamental. Acompanhamentos terapêuticos e esclarecimentos sobre a doença são extremamente necessários para que haja uma condução adequada, principalmente, para aqueles que se responsabilizam pelos cuidados do doente. A energia envolvida é bastante intensa pois a convivência é muito sobrecarregada e exaustiva.

Outro aspecto de suma importância é o entendimento e apoio espiritual. A terapêutica complementar espírita com os passes magnéticos, água fluidificada, evangelho no lar e tratamentos desobssessivos (quando necessários) são essenciais como suporte para todos os envolvidos neste diagnóstico.

Sabedores de que “nada acontece por acaso” e que as doenças vivenciadas já são nossa oportunidade de cura espiritual cultivemos a fé na Espiritualidade Maior que nos alcançará o suporte para vivenciarmos esta prova.

Não esqueçamos: quem é… e quem foi…a pessoa que hoje se encontra com Mal de Alzheimer.

O Amor é a maior força a nos sustentar e a auxiliar no conforto e no alívio dos sintomas das dores da alma. Tenhamos, sempre presente, que oportunizar para o paciente momentos de alegria, conforto, carinho e prazer, mesmo que serão esquecidos nos minutos seguintes abastecerá imensamente o momento presente de nosso ente querido. E isso ficará para sempre na sua memória espiritual.

O cuidador e familiar com o avanço da doença no paciente necessitará de muito apoio e reabastecimento psicológico e espiritual. Esse panorama evidencia que tanto paciente como familiar e/ou cuidador estão entrelaçados numa prova compartilhada e que exigirá muita compaixão, indulgência, perdão, paciência, resignação e amor dos envolvidos.

Lembrando o Evangelho segundo o Espiritismo no capítulo 5: Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados, Jesus indica, ao mesmo tempo, a compensação que espera aqueles que sofrem, e a resignação que faz abençoar o sofrimento como prelúdio da cura.

Não esquecendo que, para aqueles que estiverem em sofrimento, sempre haverá um consolo, basta não perder a fé e a compreensão que a nossa passagem durante cada encarnação tem o propósito da evolução espiritual.

Nos momentos de muita aflição nos reportemos ao Mestre Jesus que nos diz com todo o seu Amor e serenidade:

“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei. -Tomai meu jugo sobre vós, e aprendei de mim que sou brando e humilde de coração, e encontrareis o repouso de vossas almas; porque meu jugo é suave e meu fardo é leve. ” (São Mateus11:28-30)

Elizabeth Schuck – psicóloga clínica e psicotepareuta de familia

A espiritualização e o envelhecimento humano

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          Com a proximidade da finitude do corpo físico, a crença na imortalidade do espírito revela a necessidade de qualificar e dignificar esta breve existência, para que esta fase da vida possa ser de grande beleza espiritual. Nesse processo de viver e envelhecer – como regra, não mais como exceção – levanta-se cada vez mais as questões das necessidades espirituais.
          Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualidade de vida é o método utilizado para medir as condições de vida de um ser humano. Envolve o bem-estar, físico, mental, psicológico e espiritual, além de relacionamentos sociais, como família e amigos e também a saúde, a educação entre outros.
          Envelhecer saudavelmente depende de fatores econômicos, sociais, culturais, políticos e espirituais construídos de forma individual durante toda a vida. A atriz de cinema Jane Fonda que o diga, pois ao completar 75 anos de idade, afirmou que “a velhice deveria ser planejada com antecedência emocional, física e financeira”.
          Nesse atual momento da evolução humana, período de muitas atribulações e inquietações pelas quais passa a humanidade pós-moderna, a conquista desse bem-estar mais integral – não apenas material – é objetivo comum a todos nós em processo ou já vivenciando o envelhecimento.
          De todas as fases que compõem a vida humana, nenhuma outra reacende a questão da transcendência e da imortalidade tanto quanto na velhice.
          Com a proximidade da finitude do corpo físico, a crença na imortalidade do espírito revela a necessidade de qualificar e dignificar esta breve existência, para que esta fase da vida possa ser de grande beleza espiritual. Nesse processo de viver e envelhecer – como regra, não mais como exceção – levanta-se cada vez mais as questões das necessidades espirituais.
          Entende-se por elas a falta de algo que possa trazer consolo e alívio às dores do corpo e da alma e que possam propiciar o bem-estar perante os desafios desse ciclo da existência.
          Os estudos e pesquisas científicas evidenciam que, para a maioria dos idosos, a religiosidade e a espiritualidade são uma dimensão importante e ocupam um lugar central em suas vidas. Estão diretamente relacionadas ao surgimento, à manutenção e à possibilidade de atenuarem os agravos impostos pelo envelhecimento à saúde física e mental.
          Indiscutivelmente, a busca por essa espiritualização pode proporcionar o conforto e o suporte necessários ao enfrentamento de situações e desafios inerentes a um processo natural, lógico e fisiológico da espécie humana que é o envelhecimento.
          Essa dimensão humana que denominamos de Espiritualidade tem variadas definições, mas todas confluem quando afirmam que a mesma é um recurso valioso que dá sentido à vida e que pode ampliar a consciência para o cuidado a si próprio e ao outro, e dessa forma contribuir decisivamente para uma velhice generosa e bem-sucedida.
          Independente do credo, da corrente espiritual ou religiosa, que se professe, ou até mesmo da ausência de uma religião formal, os ensinamentos religiosos e espirituais com frequência promovem uma visão positiva do mundo, e podem levar a esse bem-estar existencial. E geralmente o fazem por promover a esperança, a solidariedade, o otimismo, a satisfação com a vida, a força, a coragem e a fé.
          O bem-estar espiritual conquistado através dessa dimensão humana do ser, certamente poderá propiciar, na indispensável vivência da velhice, mais uma chance para um olhar interior, um olhar para o todo da existência, sendo esse um estágio indispensável à Completude da Vida!

Referências:
Durgante CEA. Cartilha do Envelhecimento Sadio. (org.). São Paulo, 2015: AME-Brasil.
Durgante CEA. Velhice: Culpada ou Inocente?. Porto Alegre, 2015: Francisco Spinelli.

(*)Carlos Eduardo Accioly Durgante – É médico geriatra, professor de pós-graduação do Curso de Saúde e Espiritualidade das Faculdades Monteiro Lobato de Porto Alegre, escritor, conferencista e membro da Associação Médico-Espírita do Rio Grande do Sul e da AME-Brasil.
E-mail: durgantecarlos@gmail.com

Fonte: http://www.portaldoenvelhecimento.com/espiritualidade/item/3712-a-espiritualizacao-e-o-envelhecimento-humano

Artigo: A família como desafio no processo evolutivo

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Muitos tem sido os questionamentos sobre a instituição familiar, sendo que alguns destes com previsões e avaliações negativas, trazendo a conclusiva ideia de falência da família. Atualmente o que nos deparamos é com a transformação e reformulação na configuração da família. A formatação tradicional está dando espaço para novas famílias que se constroem conforme a atual realidade e evolução dos tempos.
O ser humano tem uma necessidade básica de viver em grupo e sentir-se acolhido, proteger e estar protegido. Consequentemente famílias irão existir por um longo tempo.
Além do que, a família tem uma função de reeducação e de resgates espirituais. Já dizia Chico Xavier: “estamos no lugar certo com as pessoas certas e no tempo certo necessários ao que precisamos”. Uma família perfeita num planeta de provas e expiações é impossível, porém é possível nos aperfeiçoarmos sempre.
A nossa chance para isso é a reencarnação. Reencarnarmos num lar onde será possível reencontros para reajustes é obra da grande misericórdia Divina para o caminho evolutivo de cada integrante de uma família.
Há duas espécies de famílias, as constituídas pelos laços espirituais e a pelos laços corporais. As primeiras, duráveis se fortalecem pela depuração e se perpetuam no Mundo dos Espíritos através das diversas migrações do Espírito. As segundas, frágeis como a matéria, se estinguem com o tempo e se dissolvem moralmente desde a vida atual.
A família é o lugar por excelência onde seremos convidados a colaborar praticando a Lei de Amor de forma mais intensa e desafiadora. Somos convidados a aprender a exercitar amar na convivência: conjugal, maternal, paternal, filial, fraternal, etc.
Essa convivência só será saudável se a levarmos com respeito, paciência, perdão, diálogo, e muito amor.
Nosso tempo aqui na Terra é muito curto. A vida passa muito rápida! E precisamos viver e conviver de tal forma que, se tivermos de nos despedir de forma abrupta, não tenhamos remorsos a carregar.
Uma relação familiar com bases nos quesitos acima mencionados proporcionará estrutura emocional e promoverá o aprendizado de valores éticos em seus membros descendentes, contribuindo sobremaneira para um futuro adulto mais saudável!
Então, aproveitemos a oportunidade de crescermos e evoluirmos com a família com a qual pertencemos. Deixemos de queixar-nos dela e de “terceirizar responsabilidades”. Façamos a nossa parte para nos tornarmos pessoas melhores, bem como, aproveitemos tudo que é possível de aprendizado nessa convivência.
Já dizia Madre Tereza: “o bem que você faz hoje, pode ser esquecido amanhã. Faça mesmo assim. Veja que no final das contas, é tudo entre você e Deus! Nunca foi entre você e os outros”
Ou seja, o processo evolutivo é individual!
Nossa família é a oportunidade que tanto pedimos no Plano Espiritual para o exercício de crescermos espiritualmente. Essa compreensão auxiliará sobremaneira nos momentos desafiadores e de provas em nossa vida de convivência familiar.
Paciência, Respeito, Limites e Amor conosco e com nossa família!
Eis o caminho!!!

Elizabeth Schuck
Psicóloga Clínica e terapeuta de família

Artigo Envelhecimento: Do Corpo ou da Alma

Cada fase da existência física possui características próprias que consolidam o processo de amadurecimento do psiquismo humano. Cada novo estágio se constrói sobre os patamares do anterior, formando os alicerces complexos da individualidade.

Segundo o geriatra Dr. Carlos Durgante*, nossos tempos se caracterizam pela presença cada vez maior da longevidade, prevendo para as próximas décadas considerável aumento da população de idosos no mundo. Ainda assim, as fantasias aterradoras que acompanham a humanidade quanto à sua expectativa com relação a velhice atemorizam a maioria das criaturas – relacionando-a com decadência, amargura, solidão, doença e morte.

Trata-se de uma visão estreita que deposita os ideais de felicidade na possibilidade de gozos rápidos e sensações brutalizantes, a que as limitações do corpo agora se interpõem conduzindo o ser naturalmente a aspirações mais sutis. O centro da personalidade é atemporal.

Independentemente da idade orgânica e das condições limitantes que possam se apresentar do ponto de vista material, a mente se faz jovem quando idealista. Ninguém é solitário quando solidário. A morte faz parte da vida. A doença se apresenta como desafio existencial oferecendo maiores oportunidades de reflexão no campo dos valores morais, seja qual for o momento em que se apresente.

Atentemo-nos, no entanto, ao apego aos velhos hábitos – fruto da insegurança frente ao novo. Mudar e crescer é fundamental em qualquer etapa da vida. Aquele que jornadeia o entardecer da sua caminhada no mundo pode usufruir da tão almejada estabilidade emocional, decorrente de maior liberdade interior – quando não cronificados velhos preconceitos. É possível atingir maior auto compreensão e honestidade para consigo mesmo, com consequente respeito pelas decisões alheias, combatendo o confinamento de nosso mundo interior – este último, único que garante a verdadeira experiência de plenitude.

*No livro Conectando Ciência, Saúde e Espiritualidade

Michelle Ponzoni dos Santos
Psicóloga, psicanalista, junguiana

Artigo: Evangelho, Saúde e Evolução

Evangelho, Saúde e Evolução

Na marcha incessante do tempo, seu inerente relativismo iguala dias a anos, minutos a eras. A estreiteza da vida material, contada do berço ao túmulo, não nos permite contemplar a evolução de fenômenos cujos ciclos ultrapassam nosso tempo histórico enquanto personalidades. Assim, a maior parte dos planos da Espiritualidade Maior para o orbe terrestre nos escapa a observação do conjunto, restando-nos um vislumbre fragmentado e incompleto. Associado a esta incompletude, a limitação de entendimento do Mundo Espiritual Superior e de seus propósitos divinos restringe ainda mais nossa capacidade de compreensão dos Planos de Deus e de sua influência indelével no curso da história planetária. Nesse cenário, o homem ora atribui a si próprio, se orgulhoso, os grandes acontecimentos que mudam o curso evolutivo de milhões de criaturas encarnadas, ora delega ao acaso aquilo que lhe escapa a percepção.

Guerras e alterações climáticas, ciclos econômicos globais e as reencarnações em massa de espíritos missionários, a descida de ideais superiores a crosta, enfim, compõe o influxo evolutivo da coletividade que tem no Mestre Jesus, o comandante sempre atento e diligente.

Há cento e cinquenta anos “descia” à terra o Evangelho Segundo o Espiritismo, inaugurando uma nova etapa evolutiva do planeta. Composição de muitas mentes, encarnadas e desencarnadas, é talvez a mais bela obra de colaboração entre os dois planos da existência. O Cristianismo em sua essência mais pura, mais bela, em meados do século XIX, passava então a ser mais bem compreendido. O verdadeiro código universal de conduta e de moralidade, vigente em todos os orbes evoluídos e felizes, em todos os recantos do Universo Infinito, enfim era oferecido, como prova da bondade e do amor infinito do Pai Celestial, aos atrasados e renitentes do planeta azul. A maturidade alcançada pelos espíritos do século XIX assim o exigia, dando sequência a multissecular programação de Jesus. Primeiro Ele enviara Moisés, João Batista e os profetas na antiguidade; após os grandes iniciadores, o Governador Espiritual do planeta viera a terra oferecer sua incomparável exemplificação do Evangelho, que seria esquecido, deturpado, adaptado conforme interesses políticos. Seria necessária a recapitulação das lições, quando o Espiritismo arrebata o mundo, retirando o véu das alegorias e das distorções, sintetizando no seu Evangelho a safirina luz que conduz as almas ao coração de nosso Pai. Era o terceiro momento, dos então chamados trabalhadores da última hora.

Tradicionalmente, considera-se o Evangelho uma obra essencialmente moral.

Nela, os ensinamentos mais profundos de Jesus são extraídos e comentados por Kardec e pelos Espíritos responsáveis pelo programa da Codificação, através de lúcidas instruções, aplicáveis a todas as situações da vida. No entanto, é possível olhá-lo de forma diferente. É possível perceber, em suas lições imorredouras, o mais perfeito tratado científico que jamais as ciências humanas imaginaram lograr. Um tratado de ciências psíquicas, que liberta o homem dos tormentos da alma, das patologias mentais, do aprisionamento em seu próprio ego; que salva o indivíduo do dualismo, do materialismo, da falta de rumo, da falta de sentido, do suicídio; que traz a misericórdia, a mansuetude e a brandura como prescrição obrigatória a obtenção da felicidade. Um tratado de medicina, pois aponta a cura de todos os males físicos pela evolução do espírito, dando um sentido lógico as moléstias incuráveis, as doenças de nascença, às mortes prematuras. Um tratado de economia, ensinando nossa condição de meros fiéis depositários do tesouro divino, responsáveis pela justa distribuição das riquezas. Um tratado de direito, preconizando a lei do amor, do perdão incondicional às faltas alheias, da caridade com os criminosos, da insensatez do duelo, da indissolubilidade do casamento.

O Evangelho detém, na singularidade de suas doces lições, extraídas da fonte suprema do Mestre Jesus, o poder de nos tocar as fibras mais delicadas da alma, precavendo-nos de um dos males mais perigosos da pós-modernidade: a do racionalismo puro, do intelectualismo orgulhoso, entronizando a razão como método único ao entendimento da vida e de suas leis. Fruto da vaidade dos homens, esquecidos que o Amor é a força máxima do universo, o racionalismo dogmático tantas vezes tem encontrado justificativas para as mais atrozes atitudes, em sistemas hediondos de dominação. Organizações políticas totalitárias para a promoção de uma suposta “justiça social”, extermínio de seres humanos por motivos vis, exploração de embriões indefesos para o “avanço da ciência”, o aborto generalizado como um exercício da autonomia da mulher, e tantas outras bandeiras fazem a alma humana confundir-se, quando apartada da bússola do coração, que a tudo harmoniza e conduz a Deus. O Evangelho de Jesus é, portanto, a síntese perfeita entre fé e razão, entre amor e conhecimento, entre teoria e exemplificação divina, tendo no Mestre Galileu a encarnação dos princípios superiores que objetivamos lograr.

A pandemia dos fenômenos obsessivos, responsáveis por males ainda insuspeitos, de ordem pessoal e coletiva, encontra do Evangelho o seu único e verdadeiro antídoto. Kardec já nos dizia que toda influência sobre os espíritos obsessores reside no ascendente moral, atestando a completa ineficácia de fórmulas e práticas exteriores.

Consciente da evolução da medicina e sabedor de que havia trazido ao mundo um tratado médico de 500 anos à frente de sua época, Kardec nos deixa, em seu último parágrafo de o Evangelho Segundo o Espiritismo, uma lição primorosa: “A obsessão muito prolongada pode ocasionar desordens patológicas e reclama, por vezes, tratamento simultâneo ou consecutivo, quer magnético, quer médico, para restabelecer a saúde do organismo. Destruída a causa, resta combater os efeitos.”

Como nada, na ação da espiritualidade maior, se dá de forma fortuita, vislumbramos aqui uma delicada mensagem de Kardec para a posteridade. Temos nesse pequeno parágrafo, que encerra a referida obra, uma consagração da necessidade de integração dos aspectos morais e espirituais àqueles relacionados à saúde dos seres humanos, em especial no que tange aos processos obsessivos. Kardec convoca os médicos do futuro (um futuro que já chegou, diga-se de passagem!) ao tratamento consecutivo ou simultâneo, de modo a atuar tanto nas causas quanto nos efeitos, tanto no espírito, quanto no corpo físico. E vai além: mesmo quando resta encerrada a obsessão espiritual, muitas vezes pela pertinácia do obsessor e pelo longo tempo de atuação sobre o enfermo, cabe a medicina colaborar no reequilíbrio do paciente. A medicina do porvir deve seguir o exemplo da Obra da Codificação: uma fraterna integração colaborativa entre os dois planos da existência.

Nos grandes ciclos da evolução histórica, temos o período preparatório, no qual as idéias são lançadas de modo ainda embrionário, como uma experiência de campo no grande laboratório humano. A seguir, o programa adianta-se a uma fase de semeadura efetiva, onde a semente é lançada ao solo, de modo a aguardar a madureza dos tempos.
Por fim, temos a colheita, quando a idéia longamente preparada atinge o período de exuberância e não pode mais ser ignorada. Transitamos, nos tempos modernos, rumo à terceira etapa, em que o Evangelho será a árvore frondosa sob a qual os humildes, os brandos, os pacíficadores, os misericordiosos, os puros e os justos abrigar-se-ão felizes e em regozijo, porque souberam inscrever em suas consciências, de modo inapagável e para os séculos sem fim, as lições do Evangelho de Jesus.

Dr. Paulo Rogério Dalla Colletta de Aguiar
Presidente da AMERGS biênio 2015-2017

Journal of Affective Disorders: Intrinsic religiosity, resilience, quality of life, and suicide risk in depressed inpatients

O Dr. Bruno Paz Mosqueiro, psiquiatra da AMERGS, publicou um artigo de sua pesquisa de mestrado em uma das mais prestigiosas revistas cientificas, especializada em doenças afetivas, o “Journal of Affective Disorders”. Trata-se de um estudo avaliando a correlação entre religiosidade, resiliência, qualidade de vida, risco de suicídio e transtornos depressivos. Essa é mais uma conquista do movimento medico-espírita brasileiro, levando o alto contingente de espiritualidade à ciência médica, conforme nos orientou nosso abnegado Dr. Bezerra de Menezes. Veja artigo completo (em inglês) no link abaixo.

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Brasil precisa de saúde, não de médicos estrangeiros

Diante dessa iniciativa, duas questões devem ser analisadas. A primeira refere-se à sua real necessidade, e a segunda, à forma de realizá-la. A primeira questão envolve uma abordagem básica e conceitual: qual modelo de saúde pública o governo está buscando? Esse modelo atenderia as reais necessidades do povo brasileiro? São de conhecimento público  que a falta de recursos e a infra-estrutura são os dois grandes problemas  da saúde em nosso país. Há falta de leitos, de medicamentos, exames levam meses para serem marcados e realizados, pacientes não conseguem internação, ambulâncias permanecem paradas por falta de combustível, inúmeros hospitais públicos encontram-se deteriorados sem as mínimas condições para prestar atendimento qualificado.  Passam-se os anos, mudam-se os governos e continuamos vivendo diariamente com filas enormes e emergências abarrotadas de doentes, num processo crônico de desrespeito aos brasileiros e de profunda desvalorização da vida humana.

                O médico pé, na maioria das vezes, tão vítima quanto os pacientes, de uma estrutura falida e desorganizada, cruel e injusta. De que adianta ser cirurgião em um hospital com anestesista s e não ter fios cirúrgicos para operar um paciente com apendicite? De quem é a culpa da infecção que consome o paciente se ele não dispõe do antibiótico adequado para aquela  bactéria invasora? Quem é o culpado pela fila no pronto-socorro quando os honorários são tão abaixo do mercado que não se conseguem contratar médicos para o atendimento? Qual é o profissional que vai trabalhar por um salário aviltante? Não são os médicos que fazem a saúde. São vários varios profissionais que, juntos, podem promover um atendimento  de qualidade: psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, dentistas, fisioterapeutas, recepcionistas, motoristas de ambulância, paramédicos, biomédicos, faxineiros, técnicos de radiologia e também outros profissionais que são fundamentais para que os pacientes recebam atendimento adequado. Mesmo assim, se não estiverem inseridos em um ambiente adequado e com recursos necessários, de nada adiantará.

                Contratação de cubanos

 A contratação de 6 mil médicos estrangeiros para trabalharem no Brasil não vai modificar em nada as questões básicas que afetam a saúde do País, ao contrário, servirá apenas para maquiar o problema, protelando mais uma vez a necessidade de se debruçar corajosamente sobre essa questão.

Como parte da classe médica deste país, repetimos aqui os questionamentos e posicionamentos das nossas entidades representativas: “Qual o destino dos R$ 17 bilhões do orçamento do governo federal para a saúde, que não foram aplicados como deveriam, em 2012? Por que vetaram artigos da Emenda Constitucional 29, que se tivesse sido colocada em prática teria permitido uma revolução na saúde?”

                Falta de profissionais

Os protestos ocorridos nas últimas semanas em todo o País não pedem “médicos estrangeiros”, mas um SUS público, integral, gratuito, de qualidade e acessível a todos. É preciso reconhecer que a falta de investimentos e a gestão incompetente desse sistema afastam os médicos brasileiros do interior e da rede pública, agravando a crise. Existe falta de médicos no Brasil? Não, tanto é verdade que o próprio governo tem uma política de controle para abertura de novas faculdades de Medicina. Então, por que a dificuldade dos médicos de se fixarem nas pequenas cidades? Exatamente pela falta de política pública que favoreça e dê condições ao médico de atender nas regiões mais carentes.

É muito mais fácil responsabilizar o médico pelo caos da saúde do que assumir a responsabilidade, numa clara atitude de esconder o “lixo” embaixo do tapete ou  jogá-lo no pátio do vizinho. O governo tem de ter a honradez de assumir seus erros e enfrentar as conseqüências negativas de seus atos e não impor aos médicos uma situação calamitosa que diariamente são obrigados a suportar.

O que precisamos é de uma Medicina mais humana, que passa necessariamente pelos questionamentos de ordem social e ética. Uma Medicina pautada pelo respeito à vida e ao ser humano.  Respeito pela vida de nossos pacientes, pela vida das crianças, dos idosos e daqueles que estão para nascer. Mais do que tudo, uma mudança no olhar que possuímos do outro. Um olhar que exige atenção e respeito e que só acontecerá quando conseguirmos atender às suplicas das mães que choram a dor dos seus filhos doentes, dos idosos depositados nos corredores dos hospitais, das pessoas que madrugam para serem atendidas, dos que imploram um leito hospitalar, das inúmeras queixas que nos chegam todos os dias por um sistema de saúde mais humano e justo.

Autores: Gilson Luis Roberto  (AMERGS) e Décio Iandoli Jr. (AME-Mato Grosso do Sul)

Publicado em Folha Espírita julho 2013.