Posição da AME-Brasil sobre o zika vírus e o aborto

Os que defendem a legalização do aborto encontraram na associação do aumento da microcefalia com o surto de zika vírus uma oportunidade para retomar a discussão da liberação do aborto no Brasil.
Recentemente foi noticiado que grupo liderado pela Débora Diniz, do instituto de bioética Anis, prepara uma ação no STF para a liberação do aborto em casos de microcefalia. É o mesmo grupo que propôs a ação para interrupção da gravidez de anencéfalos, acatada pelo STF em 2012.
A bióloga e feminista Ilana Löwy, numa entrevista para a Revista ÉPOCA, vê no surto de zika vírus uma oportunidade para se debater o direito de decisão da mulher de ter ou não o bebê, como aconteceu com a epidemia de rubéola no Reino Unido. Interessante é que a Rubéola hoje em dia é uma doença totalmente controlável e passível de prevenção através da vacinação, deixando de ser um risco epidêmico, usado como justificativa para a liberação do aborto na Europa.
Os argumentos utilizados se baseiam na liberdade da mulher poder escolher o que é melhor para si, esquecendo que existe uma vida a qual se está negando o primeiro e mais fundamental dos direitos humanos, o direito à vida.
Cabe ressaltar que os fundamentos utilizados para liberar o aborto dos fetos anencéfalos não se aplicam nesses casos.
O diagnóstico da microcefalia é tardio, em torno da 28ª semana, diferentemente da anencefalia, que é feito a partir da 12ª semana de gestação.
As lesões da microcefalia geralmente aparecem na ultrassonografia depois da 24ª e não são incompatíveis com vida, como nos casos de anencefalia.
Além disso, o diagnóstico ecográfico de lesão neurológica não é 100% seguro, já que depende da análise de um profissional passível de equívocos. Existem inúmeros relatos de erros em fetos com diagnóstico de mal-formações neurológicas e que nasceram perfeitamente normais.
No entanto, os que argumentam em favor do aborto querem transformar o diagnóstico de microcefalia em atestado de morte para todas as crianças das mães que contraíram o zika vírus e que optarem pela interrupção da gravidez, mesmo com possibilidades de nascerem normais ou com poucas sequelas neurológicas.
Com o avanço da medicina fetal e da genética médica, hoje é possível a detecção, ainda no útero, de várias anomalias fetais. Diversas técnicas como ultrassom morfológico, ultrassom de terceira dimensão, a biópsia de vilos coriais, a amniocentese, a cordocentese, o desenvolvimento da técnica citogenética molecular permitem o diagnóstico intrauterino de várias doenças. O diagnóstico permite iniciar o tratamento antes do nascimento, como cirurgias intrauterinas para correções de más-formações, assim como a preparação psicológica dos pais para o enfrentamento das graves anomalias.
Querer selecionar apenas as crianças saudáveis com direito à vida é retomar a prática da eugenia feita na Grécia antiga e pelo nazismo, abrindo um precedente para a liberação do aborto em outros casos de microcefalia como as causadas por hipóxia neonatal, desnutrição grave na gestação, fenilcetonúria materna, rubéola congênita na gravidez, toxoplasmose congênita na gravidez, infecção congênita por citomegalovírus ou em doenças genéticas como Síndrome de Down, Síndrome de Cornelia de Lange, Síndrome Cri du Chat, Síndrome de Rubinstein – Taybi, Síndrome de Seckel, Síndrome de Smith-Lemli–Opitz e Síndrome de Edwards.
Nesses casos pessoas como Ana Carolina Dias Cáceres, moradora de Campo Grande (MS), hoje com 24 anos e formada em jornalismo, e tantas outras crianças em situações parecidas, não teriam direito à vida.
Ao saber da iniciativa de alguns em defender o aborto de fetos com microcefalia, Ana Cáceres veio a público dar seu depoimento a BBC do Brasil em defesa dos portadores de microcefalia.
Nos casos microcefalia não se pode falar na opção de abortamento, pois não se trata de patologia letal que inviabilize a vida extrauterina. Embora as limitações que possam surgir, a expectativa de vida das crianças com microcefalia não são diferentes das outras crianças, exigindo, no entanto, estimulação e cuidados especiais para melhorar a sua qualidade de vida.
A discussão do aborto em casos de microcefalia retrata bem o momento pós-moderno em que vivemos, o que Bauman, um dos maiores pensadores da atualidade, chama de modernidade líquida. Na modernidade líquida os indivíduos não possuem mais padrões de referência, nem códigos sociais e culturais que lhes possibilitem, ao mesmo tempo, construir sua vida e se inserir dentro das condições de classe e cidadão.
A modernidade líquida trouxe descentramento do homem, do sujeito, produzindo identidades híbridas, locais e globais, efêmeras sobre tudo. É a cultura do efêmero, da destruição criativa, “tudo que é sólido desmancha no ar” na imagem trazida por Berman.
Para a maioria dos autores, a pós-modernidade é marcada como a época das incertezas, das fragmentações, do narcisismo, da troca de valores, do vazio, do niilismo, da deserção, do imediatismo, da efemeridade, do hedonismo, da substituição da ética pela estética, da apatia, do consumo de sensações e do fim dos grandes discursos.
A educação recebida dos pais e das escolas, os valores morais que orientam as boas relações sociais, o fortalecimento da família e a busca do bem comum está perdendo espaço para novas formas de comportamento regidas pelas leis do mercado, do consumo e do espetáculo.
Existe uma crise de valores com perda de referenciais importantes em detrimento de uma vida superficial e de um discurso liberal.
Na sociedade pós-moderna predomina o ter acima do ser, o prazer pelo prazer, o prazer acima de tudo, a permissividade que justifica que tudo é bom desde que me sinta bem, o relativismo no qual não há nada absoluto, nada totalmente bom ou mau e as verdades são oscilantes, o consumismo, se vive para consumir, e o niilismo caracterizado pela subjetividade, a paixão pelo nada, numa indiferença assustadora.
Renata Araújo descreve muito bem o sujeito pós-moderno:

“A pós-modernidade nos apresenta um sujeito imediatista, fragmentado, narcisista, desiludido, ansioso, hedonista, deprimido, embora também informatizado, buscando independência, autonomia e defesa de seus direitos. Mas, a supervalorização e autonomia geram um individualismo, um egocentrismo, uma ênfase na subjetividade, sendo o outro apenas para a consecução de seus objetivos pessoais.” (ARAÚJO, p. 1 e 2)

Vive-se numa época de grande competitividade e de pouca solidariedade. Em nome dessa nova ideologia, os indivíduos se permitem agir passando por cima de valores fundamentais.
A coisificação da vida e o predomínio dos interesses pessoais em detrimento do coletivo são bem característicos dessa fase em que vivemos.
Entretanto, aprendemos com a genética que a diversidade é a nossa maior riqueza coletiva. E o feto anômalo, mesmo o portador de grave deficiência, como é o caso da microcefalia, faz parte dessa diversidade. Deve ser, portanto, preservado e respeitado.
Necessário se faz proteger também a gestante, dando a ela apoio em sua gravidez e proporcionando tratamento ao seu futuro filho.
Reconhecemos que a mulher que gera um feto deficiente precisa de ajuda psicológica por longo tempo; constatamos, porém, que, na prática, esse direito não lhe é assegurado.
O aborto provocado é um procedimento traumático com repercussões gravíssimas para a saúde mental da mulher e que geralmente aparecem tardiamente.
O aborto produz um luto incluso devido à negação da ocorrência de uma morte real, mas esse aspecto é totalmente desconsiderado.
As mulheres sofrem uma perda e suas necessidades emocionais são relegadas ou escondidas. Elas não conseguem vivenciar o seu luto e lidar com a culpa. Esse processo vai gerar profundas marcas e favorecer o surgimento da Síndrome pós-aborto (PAS).
Psiquiatras e psicólogos especializados em atender mulheres que abortaram alertam para o aumento dos transtornos emocionais causados pelo aborto provocado. Eles afirmam que os efeitos psicológicos do aborto são extremamente variados e não são determinados pela educação recebida ou pelo credo religioso. Esclarecem que a reação psicológica ao aborto espontâneo e ao aborto involuntário é diferente, está relacionada com as características de cada um desses dois eventos. O aborto espontâneo é um evento imprevisto e involuntário, enquanto o aborto provocado interrompendo o desenvolvimento do embrião ou do feto e extraindo-o do útero materno contempla a responsabilidade consciente da mãe. As mulheres que se submeteram ao aborto afirmam que a culpa não é gerada de fora para dentro, infundida nelas por outras pessoas ou pela religião, ao contrário, ela surge e cresce em seu mundo íntimo a partir do ato abortivo.
Os problemas emocionais gerados pelo aborto são tão graves, que em muitos países onde ele é legalizado, foram criadas, pelas próprias mulheres vitimadas pelo aborto, associações como a Women Exploited by Abortion (Mulheres Exploradas pelo Aborto) nos EUA, e a Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) na Espanha, que orientam e alertam sobre as consequências prejudiciais do aborto.
O aborto não é definitivamente uma “solução fácil” como afirmam muitos, mas um grave problema, um ato agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.
As consequências danosas provocadas pelo aborto à saúde mental nos países onde ele foi legalizado é tão grave como a depressão profunda, que o Royal College of Psychiatrists (associação dos psiquiatras britânicos e irlandeses), alertaram que a mulher deve ser comunicada para os graves riscos emocionas que se submete caso opte pela interrupção da gravidez.
Portanto, aborto nunca será uma solução, sempre um lado ou ambos serão prejudicados. Não é dando a mulher autonomia para matar seu filho dentro de seu ventre que resolveremos os problemas sociais. Isto não passa de demagogia. É necessário investir na educação das massas para prevenção da gravidez indesejada, mas jamais matar uma criança inocente. Os fins não podem justificar os meios.
A sociedade que apela para o aborto declara-se falida em suas bases educacionais, porque dá guarida à violência no que ela tem de pior, que é a pena de morte para inocentes. Compromete, portanto, o seu projeto mais sagrado que é o da construção da paz.
A Associação Médico-Espírita do Brasil reitera seu posicionamento contra qualquer forma de violência a uma nova vida que não põe em risco a vida materna e que surge aguardando o auxílio de braços fortes e sensíveis que lhe ampare em sua fragilidade.
Concitamos a todos os colegas das AMEs para continuarmos firmes em defesa da vida e da paz.

AME-Brasil

REFERÊNCIAS

1) ARAÚJO, Renata Castro Branco. O Sofrimento Psíquico na Pós-Modernidade: Uma Discussão Acerca dos Sintomas Atuais na Clínica Psicológica. Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. Disponível em: http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0311.pdf Acessado em 09/02/2016.

2) BAUMAN, Zygmunt. Ética Pós-moderna. São Paulo: Paulus Ed., 1997.

3) BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.

4) BAUMAN, Zygmunt. Tempos Líquidos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.

5) BAUMAN, Zygmunt. Cegueira Moral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2014

6) BERMAN, Marshall. Tudo que é Sólido Desmancha no Ar. São Paulo: Schwarce ed., 1986.

7) CÁCERES, Ana Carolina Dias ‘Existo porque minha mãe não optou pelo aborto’, diz jornalista com microcefalia. Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/02/1735812-existo-porque-minha-mae-nao-optou-pelo-aborto-diz-jornalista-com-microcefalia.shtml Acessado em 09/02/2016.

8) LÖWI, Ilana. A rubéola levou à legalização do aborto no Reino Unido. O zika fará o mesmo no Brasil? Disponível em: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2016/02/rubeola-levou-legalizacao-do-aborto-no-reino-unido-o-zika-fara-o-mesmo-no-brasil.html Acessado em 09/02/2016.

9) RAZZO, Francisco. Um novo nome para uma velha fantasia. Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/um-novo-nome-para-uma-velha-fantasia-86ax9r1xg929hkv6wv2iff9io Acessado em 09/02\/2016.

Artigo: Família e Eutanásia

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O Ser Humano, ao demandar a vida na terra, encontra muitas vezes por oferta uma série de possíveis prazeres, de busca de conforto e segurança, da procura da felicidade. No entanto, neste interim, é acossado por inúmeras intercorrências que o levam ao experimento da dor, nos flagelos sociais, nas distonias mentais, nos conflitos familiares e até mesmo na visita da morte, revestida de doenças abruptas ou prolongadas que inviabiliza-lhe a movimentação no corpo e o fruir dos sentidos.
Frente a esta inconstância – que, em diferentes graus, é peça constituinte da vida – há aqueles que acreditam na existência como eterno gozo, a fim de aproveitar o tempo que lhes resta, apegados às ilusões da juventude e assustados pelo fantasma da velhice. Outros, buscam no status e na locupletação material uma espécie de sentido, que lhes falta, pois tais aquisições não são portadoras por si só da verdadeira paz, que jamais vem descarregada dos sentimentos morais profundos a que destina-se o Espírito. Conforme nos alerta o Espírito Carlos, em psicografia de João Nunes Maia: “as coisas falsas, embora brilhem mais que as verdadeiras, não permanecem clareando” (Gotas de Ouro).
Diante dos embates humanos entre a vida e a morte, surgem as mensagens divinas, por vezes disfarçadas de provações, sem as quais não nos movimentaríamos ainda rumo ao alcance de patamares maiores de entendimento. Toda a vez que nos encontremos cerceados por dificuldades atrozes, lembremos de Jesus que, macerado na cruz, antevia as moradas espirituais de que procedia, desejando a nós que ficávamos o verdadeiro perdão das ofensas às leis maiores, enquanto atestávamos nossa ignorância em frente ao nobre exemplo deste Ser de Luz.
A perspectiva da dor sem solução, do sofrer sem remédio assusta-nos o ser, por vezes despreparado pela visão materialista da vida, ou por uma religiosidade empobrecida, entre os símbolos de céu e inferno tão distantes de nossa realidade. Circunstâncias em que surgem as pretensas soluções imediatas, a fim de dar cabo a dor, aparentemente sem sentido, diante de algo que nos soa como fim, ainda que não o seja.
É neste contexto que se apresenta a eutanásia, sorvida na forma de injeção letal, sob o pretexto de “trazer a paz” àquele que estertora, mas que merece ser devidamente esclarecida, em face da continuidade do Espírito após estes momentos afligentes.
Aceita em países como França, Alemanha, Áustria, e Holanda, por exemplo, é classificada no Brasil como atitude criminosa, embora vez por outra ocorra disfarçadamente em procedimentos paralelos que acabam por ter o mesmo fim. De uma forma ou de outra, constitui uma das pautas atuais das importantes discussões em bioética. Confluindo os termos gregos eu e thanatos (“morte boa”), tal prática é proposta por sincera esperança de aliviar do sofrimento, para alguns, ou de inconsciente desconsideração pela vida, para outros, dentre seus diferentes defensores.
Fossemos seres puramente materiais, fadados a extinguir-nos com a disjunção molecular, a proposta apresentar-se-ia talvez como um alivio a dor alheia, em nosso intento de auxílio. A espiritualidade que nos cerca, no entanto, alerta-nos para outro nível de causas e consequências, onde pretensas soluções podem tornar-se, em verdade, geradoras de maiores dores ao Espírito que somos. O inverso também se verifica, uma vez que beneficiamo-nos de situações por vezes dolorosas, conforme às tomarmos por aprendizado. Nossas necessidades, como seres imateriais, vão muito além daquelas que distinguimos no “mundo das formas”.
Diante das quase infindáveis dores em que se encontra o indivíduo e a família em casos de coma profundo, de morte certa, de dores sem trégua e sem previsão de recuperação, de que adiantaria a espera? Por que não abreviar uma dor sem sentido?
Em 1860, Allan Kardec questionou aos Espíritos sobre o tema, cuja resposta veio a constituir o item 28 do capítulo quinto de O Evangelhos Segundo o Espiritismo:
“Um homem agoniza, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que o seu estado é sem esperança. É permitido poupar-lhe alguns instantes de agonia, abreviando-lhe o fim?”

E obteve como resposta, assinada pelo Espírito São Luis:

“Mas quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir um homem até a beira da sepultura, para em seguida retirá-lo, com o fim de fazê-lo examinar-se a si mesmo e modificar-lhe os pensamentos? A que extremos tenha chegado um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que soou sua hora final. A ciência, por acaso, nunca se enganou nas suas previsões?
Bem sei que há casos que se podem considerar, com razão, como desesperados. Mas se não há nenhuma esperança possível de um retorno definitivo à vida e à saúde, não há também inúmeros exemplos de que, no momento do último suspiro, o doente se reanima e recobra suas faculdades por alguns instantes? Pois bem: essa hora de graça que lhe é concedida, pode ser para ele da maior importância, pois ignorais as reflexões que o seu Espírito poderia ter feito nas convulsões da agonia, e quantos tormentos podem ser poupados por um súbito clarão de arrependimento.
O materialista, que só vê o corpo, não levando em conta a existência da alma, não pode compreender essas coisas. Mas o espírita, que sabe o que se passa além túmulo, conhece o valor do último pensamento. Aliviai os últimos sofrimentos o mais que puderdes, mas guardai-vos de abreviar a vida, mesmo que seja apenas um minuto, porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro.”
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V item 28. Grifo nosso)

Em perspectiva esclarecida, o desenlace do Espírito, que abruptamente ou gradualmente despede-se do envoltório corporal, é sim momento derradeiro na terra, mas em vista de seu aproveitamento da experiência fruída, possibilitando-lhe maiores esclarecimentos da fase nova da Vida, ou prolongamento momentâneo das dores que o perseguem.

A família ante a eutanásia

Impossível pensar-se esse assunto sem o entrelaçamento à dinâmica familiar, que de formas variadas atingem a todas as criaturas no planeta. Formada frequentemente por desafetos do passado, e alguns espíritos afins – conforme nos revelam os Espíritos envolvidos na codificação da Doutrina Espírita – , a união familiar tem por vias diluir débitos do passado através da repetição e/ou variação de posições parentais, permitindo, assim, a reedição de velhos conflitos na proposta de empreitadas edificantes, por vezes muito angustiosas, mas também libertadoras ao acessar e movimentar os escaninhos profundos de nosso inconsciente, de nossas personalidades ainda um tanto grosseiras.
Assim, a família – célula elementar da sociedade, delimitando as relações primárias do indivíduo com o meio a que pertence – constitui-se de valorosa escola pela qual todos temos a oportunidade de exercitar as capacidades morais necessárias a nosso ser, em vias de sua jornada evolutiva pelas diferentes etapas de nossa ascensão espiritual. Não por acaso foi elegida por Confúcio, e outros sábios orientais da antiguidade, como o grande modelo a pautar as relações morais desde o camponês ao príncipe, em diretriz política e social herdada para a China milenar, ainda que alterada desde priscas eras.
Se, por desgosto ao círculo em que formos originados, renegarmos totalmente à família, afastarmo-nos da sociedade e buscarmos a vida eremita, vinculado às cavernas, à fuga para natureza e demais lugares ermos, ainda assim carregaríamos a população de “vozes internas” que inunda-nos o ser, em uma enxurrada inconsciente a pedir-nos resolução. São as imagens psicológicas que guardamos das figuras parentais e “dos outros” em geral, e das quais não poderemos livrarmos, muito menos em atos de revolta para com a vida, identificando-nos com suas demandas ou combatendo-as desesperadamente. Necessitam, na verdade, serem superadas em busca do autoconhecimento, a fim de que reintegremos estes sentimentos e pensamentos harmoniosamente, visto serem nada mais do que projeções inconscientes de nossos próprios complexos não solucionados, a ressoar sob a figura do próximo, estando este envolvido ou não com a conflitiva que abateu-nos.
Partindo do ponto de vista do indivíduo, atitudes autodestrutivas – como o alcoolismo, a drogadição, o suicídio, e demais comportamentos de risco – tendem a trazer uma boa parcela inconsciente de tentativa de livrar-se desta multidão de vozes internas, das opiniões familiares, que lhe torturam a personalidade devido a incompreensão de uma ou de ambas as partes. Destruindo-se, desta forma, destrói-se também os outros que “habitam” em nós, como fantasiosamente se acredita nestes momentos infelizes.
Partindo do ponto de vista dos demais familiares, o parente que sofre é convite declarado para que todos revejam pensamentos e sentimentos, a fim de direcionar suas atitudes à cooperação com o outro. Trabalho este que tem início em nosso próprio aprendizado, revendo em que a dor alheia tem a nos ensinar, seja pelas virtudes ou tropeços destes entes queridos. Pois não basta apontarmos os males – isto todos fazem –, o mérito está em emularmos em nós as possíveis soluções, colocando-nos no lugar do próximo na busca de melhores resoluções morais.
O enfermo que estertora mobiliza em todos os mais variados conjuntos de sentimentos; como o medo e impotência diante da morte; de que não amamos aquele ser o quanto devíamos; a revolta diante da doença, da própria Vida, e da Divindade. É também ponto de união, onde os familiares veem-se em necessidade de esforçarem-se e sustentarem-se diante da prova em questão.
Situações limites como esta tendem a testar nossas fibras morais, auxiliando a flexibilização de nossas certezas diante da vida e morte, inicialmente para suportarmos o ocorrido, e finalisticamente como despertamento para as maiores reflexões acerca da sobrevivência do Espírito e suas consequências em nossa vida diária.

Vida e Sociedade

Aos idos tempos de Esparta, a mais belicosa cidade-estado a compor a península grega, defrontávamos com uma sociedade sem espaço para aqueles considerados inválidos, de alguma forma. Os bebês que nascessem com deformidades eram atirados de penhascos, a fim de se estabelecer uma sociedade “perfeita” em suas funções corporais. O infanticídio era acompanhado, também, do descarte aos mais velhos, incapazes de lutar. Descendente dos Dórios – um dos últimos povos a se estabelecerem violentamente na região do Peloponeso, em regime de combate aos demais vizinhos –, o considerado cidadão espartano, entre outras coisas, era o que estivesse pronto para a guerra, em uma sociedade altamente excludente e moralmente aquém de seus contemporâneos atenienses, mais evoluídos em termos artísticos e filosóficos.
Ainda anteriormente, em algumas tribos paleolíticas que habitaram ao redor do mundo, como ainda o há em pequenos focos, abandonar os mais velhos a própria sorte era uma forma de garantir a sobrevivência do bando, uma vez que estes eram considerados um peso aos demais. Incapazes de caçar e necessitando de cuidados maiores, entravavam-lhes o movimento nômade que lhes era característico, na busca de zonas com maiores recursos alimentícios.
Contemporaneamente, uma visão utilitarista do indivíduo – classificado apenas por sua capacidade de produção, ou então de “constituir biografia”, conforme alguns controversos filósofos contemporâneos – ganhou corpo junto à visão materialista que instaurou-se nos meios médicos e científicos em meados do século XIX. Materialismo, este, decorrente do movimento cientificista, interessado em exaltar alguns ramos da ciência mecanicista como expressão máxima da realidade, na verdade, em interpretação limitada e unilateral de ambas.
Por este viés, a vida nada mais se constitui do que um caminhar preciso em direção a morte, à finitude, onde dar-se-ia o encerramento total daquilo que o indivíduo um dia foi. Em revolta declarada aos dogmas impostos pela religião controladora, como principal motivo, a ciência ganhava em técnica e perdia em sabedoria, em espiritualidade.
Em algumas correntes radicais (mas não hegemônicas) da bio-medicina e da filosofia da ciência contemporânea (ex: Francis Crick e casal Churchland), seriamos assim considerados robôs biológicos, onde nossas mentes deixam de existir com a morte do cérebro e dos sistemas cardíaco respiratório. Descartáveis, portanto, quando em vias de inutilizarmo-nos fisicamente, por esta visão.
Em contraponto, uma série de renomados cientistas vêm propondo uma visão diferente do aspecto mente e cérebro, desde o próprio René Descartes (pai do mecanicismo-cartesiano), a nomes atuais como Karl Popper, Pin Van Lomel, Mario Beuregard, entre outros. Impulsionados principalmente pelas chamadas Experiências de Quase Morte (EQM), onde pacientes ressuscitados verbalizam uma série de vivências fora do corpo físico, caracterizadas por conteúdo paradoxal. Nestas vivências, relatam encontros com parentes desencarnados, saídas do corpo, e relatos de procedimentos cirúrgicos discutidos junto a eles ou em salas separadas.
Podemos considerar como o início de uma mais expressiva consideração da vida após a morte nos meios médicos e científicos. Tal constatação, que ganha espaço aos poucos em nossa sociedade, vem trazer-nos uma série de reposicionamentos em nossa forma de viver e ver a vida. Traz consequências inevitáveis para assuntos contraditórios, por vezes tidos como “liberalizantes”, tal os flagelos da drogadição, do aborto intencional e da interrupção ativa da vida em intervenções hospitalares, como no caso da eutanásia e do suicídio assistido.
A descoberta da dimensão espiritual – faixa primordial da realidade que a todos cerca – vem a somar-se com destacada importância às debatidas dimensões psicológicas, biológicas e culturais do ser humano, encadeando-as para uma compreensão ainda mais ampla, complexa e integral do fenômeno da vida.

O efeito da eutanásia sobre o Espírito desencarnante

André Luiz, médico desencarnado na primeira metade do século XX, nos relata um interessante caso, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, onde é possível sentir-se os efeitos atordoantes do desligamento abrupto entre espírito e corpo, através da eutanásia. Se encontrava a equipe de André Luiz na esfera espiritual da vida, cooperando cirurgicamente para o desenlace de Cavalcante, moribundo, com vistas a diminuir o impacto que sentiria com seu falecimento iminente, que se daria de forma natural em algumas horas.

“O clínico, todavia, não se demorou muito, e como o enfermo lutava, desesperado, em oposição ao nosso auxílio, não nos foi possível aplicar-lhe o golpe extremo. Sem qualquer conhecimento das dificuldades espirituais, o médico ministrou a chamada “injeção compassiva”, ante o gesto de profunda desaprovação do meu orientador [espiritual].
Em poucos instantes, o moribundo calou-se. Inteiriçaram-se-lhes os membros, vagarosamente. Imobilizou-se a máscara facial. Fizeram-se vítreos os olhos móveis.
Cavalcante, para o espectador comum, estava morto. Não para nós, entretanto. A personalidade desencarnante estava presa ao corpo inerte, em plena inconsciência e incapaz de qualquer reação.
Sem perder a serenidade otimista, o orientador explicou-me:
– A carga fulminante da medicação de descanso, por atuar diretamente em todo o sistema nervoso, interessa os centros do organismo perispiritual. Cavalcante permanece, agora, colado a trilhões de células neutralizadas, dormentes, invadido, ele mesmo, de estranho torpor que o impossibilita de dar qualquer resposta ao nosso esforço. Provavelmente, só poderemos libertá-lo [do corpo] depois de decorridas mais de doze horas.
E, conforme a primeira suposição de Jerônimo, somente nos foi possível a libertação do recém-desencarnado quando já haviam transcorrido vinte horas, após serviço muito laborioso para nós. Ainda assim, Cavalcante não se retirou em condições favoráveis e animadoras. Apático, sonolento, desmemoriado, foi por nós conduzido ao asilo de Fabiano [local na espiritualidade], demonstrando necessitar maiores cuidados.”
(André Luiz. Obreiros da Vida Eterna. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Cap. 18. FEB, 2011)

Assim, como em diversos exemplos, o corpo morre, mas a alma prossegue, com sofrimento maior ou menor conforme o apego com o corpo ou a sutilização dos laços espírito-matéria. As horas finais de Cavalcante não apenas eram-lhe necessárias para reflexões conclusivas desta encarnação (conforme maiores informações na obra em questão), como pudemos compreender que a própria interrupção arbitrária da vida em injeção letal gerou-lhe grande mal-estar desnecessário.

Medida preparatória

Considerando a importância dos momentos derradeiros do ser, ainda que dolorosos, relatemos aqui determinado caso narrado por um dos médiuns de nossa seara de atuação espírita. Encontrava-se sua família a duras lágrimas em vista de sua avó, que devido a problemas vasculares seguidos de parada cardíaca adentrou-se em coma profundo, carregando todos a um estado crônico de espera angustiosa entre a vida e a morte.
Após meses nesta situação, os familiares obtiveram auxílio em atividade mediúnica, onde os venerandos orientadores informaram a condição da enferma: estava em processo preparatório que lhe definiria, na verdade, a qualidade de sua entrada completa no mundo dos Espíritos. Amada por todos os familiares, trazia, porém, determinado caráter combativo e exigente, muitas vezes marcado pelo rancor. A senhora, naquele momento, defrontava-se com inúmeros perseguidores espirituais que lhe acompanhavam em vida, e que esperavam seu desencarne para dar continuidade a processos obsessivos mais severos. Movidos, estes, pela ideia da vingança, por conflitos de vidas passadas.
Seu período de coma, que durou mais de ano e meio, seria uma intervenção da espiritualidade superior em seu proveito, devido a outros méritos seus. Afastada parcialmente do corpo pela situação em que se encontrava, a irmã antevia o mundo espiritual com maior clareza, teimosa mas assustada, e deliberava com seus mentores a mudança de estado mental em que se arraigava. A situação a se definir, portanto, clamava pela prece de todos.
Nosso colega, na época em despertar abundante de suas faculdades mediúnicas, evitava injustificadamente a visita ao leito hospitalar da avó amada. Após ponderar com clareza, aquiesceu em encontrá-la, ainda temendo maiores abatimentos psicológicos. A visão da senhora inerte, no entanto, lhe despertou profunda compaixão. Captando-lhe as emanações mentais, deu início quase que imediatamente a processo telepático involuntário, em que visualizou a enferma um pouco mais resoluta de sua passagem, mas apegada apenas a preocupações com determinada filha que lhe dependia financeiramente e afetivamente, em situação psicológica um tanto emaranhada.
Tal informação, que até então era ignorada por este companheiro, foi comunicada aos membros próximos do grupo familiar, que tomaram por resolução educar a parente a autogerir-se. Em conversa junto a senhora em coma, uma de suas filhas pediu que não se preocupasse com isso, pois todos dariam o devido auxílio emocional a outra filha, que não ficaria sozinha no mundo.
Dentro em breve, a senhora abandonava o corpo físico, rumando definitivamente para a Vida Maior, mais esclarecida e preparada. Nas primeiras horas após o desenlace, ainda foi-lhe permitido despedir-se do neto (o colega em questão), desta vez através do processo de clariaudiência, com emocionantes palavras que lhe marcaram o íntimo, a atestar-lhe a vida após a morte.
Tão digna é a vida em suas inúmeras manifestações! Ainda que debatemo-nos com seus impositivos ela visita-nos com novos ares de esperança confirmando a importância de sermos pacientes e confiantes em nossas caminhadas. Como no caso exposto, o caminho da senhora se cruzava aos demais, não isentando-a de seu livre arbítrio e individualidade, mas convidando todos a elevarem-se em conjunto, no abandono das atitudes errôneas do passado que tenham vindo a delimitar a necessidade coletiva de tamanha expiação.
O valor da família, consanguínea ou espiritual, fortalece-nos a caminhada. O convívio pode ser desafiador, por vezes, ainda assim é sempre tempo de esperanças, pois o Espírito prossegue, defrontando-se com aquilo que abandonou, descobrindo tesouros na alma onde jamais esperava encontrar.
Cabe a família, portanto, o dever de buscar elevar-se mutuamente, não dependendo uns dos outros para a tarefa que compete ao indivíduo, mas buscando apoiar-lhes nas dores, suportar-lhes os confrontos, impulsionar-lhes ao bem, em proposta de benefício a todos. Neste meio, nossa visão da vida – materialista e orgulhosa, ou pautada na transcendência do espírito e valorização do outro – influi muito na forma como lidaremos com as situações limites.
Como Espíritos em regime de encarnação momentânea, nossa sublime caminhada ascensional, como não se restringe a nossa encarnação atual, não raro tem encontrado dificuldades de ser valorizada em nossas metas pessoais, tão esquecida frente aos “chamados do mundo”, assim que adentramo-nos na reencarnação e na vida diária. Esquecemos assim, com facilidade, aquelas diretrizes nobres assumidas por nós mesmos frente a perspectiva de uma nova vida no mundo. Afogadas no inconsciente, tendem a ressurgir em propostas criativas, em ensejos de elevação moral e aquisição cultural, ou então mediante dores afligentes, conforme nossa surdez aos seus chamados anteriores, ou conforme o plano inevitável para experiências libertadoras.
O Espiritismo vem convidar-nos ao reconhecimento dos seres espirituais que somos, anteriormente, concomitantemente e após a visita ao corpo denso através da reencarnação. Ao contrário do que pensam alguns, nossa vida espiritual não começa no desencarne, visto que a vivemos desde já, apesar de a percebermos de forma confusa, ofuscada pelo efeito da matéria e do esquecimento natural das vidas passadas. Somos verdadeiros dínamos de energia a irradiar nossos pensamentos e sentimentos ao nosso redor, em um intenso intercâmbio com os seres desencarnados que nos cercam, podendo estes se afinar a nós com propostas elevadas ou não.
É como se a sintonia espiritual em que nos encontramos, decorrente de nossos atos e reflexões morais, constituísse a verdadeira “matéria” que nos reveste, influenciando nosso corpo físico, nossa dinâmica de atração ou repulsa nos convívios sociais e até mesmo os rumos de nossas mais profundas inquirições, independentemente de quão puramente racionalizados nos imaginemos. É neste contexto que devemos voltar nossa atenção para as qualidades íntimas do Ser atentando aos sentimentos e pensamentos que lhe caracterizam, pois influem no grande momento da transição, ocasionado pela morte física.
Uma passagem “bem sucedida”, com o esforço possível em elevar-se o pensamento pelo grupo familiar, confere àquele que parte maior cabedal de proteção, uma vez que mais dificilmente sentirá à distância os sentimentos coletivos de revolta e pessimismo que lhe embargariam a adaptação ao mundo espiritual. Não pensemos que isto se trata de desdém pela morte ou pelos seres queridos, dos quais sempre sentimos a falta, mas proposta sincera e resignada de reeducação espiritual, no lento acostumar-se em encarar a vida como continuidade. Proposta difícil, por vezes, porém meritória, a gerar frutos para nós e para aqueles que nos cercam.
Tão rico o valor do minuto daquele que se encontra nos ímpares estados de aflição, ainda que isso estranho nos pareça. Quão consoladoras podem ser as visitas de entes queridos, tomadas por “alucinações do momento final” – uma vez que passa-se a ver e cumprimentar aqueles que “já se foram”. Como nos conclama O Evangelho Segundo o Espiritismo, façamos o máximo para lhes diminuir as dores, porém jamais cessemos a vida.
Não raras vezes é o minuto que o ser precisa e merece para realinhar-se momentaneamente em vias de adentrar a pátria espiritual com maior desprendimento das dores que passa, maior perdão para com a vida, maior preparo junto aos seres amados que lhe esperam em festa.
A mediunidade, atestando a continuidade das consciências ao esfacelamento do corpo, abre aos campos científicos, religiosos, éticos e filosóficos toda uma gama de reflexões paradoxais, que convidam-nos a uma mudança profunda de entendimentos.
As comunicações de nossos queridos desencarnados desvelam-nos outro lado da vida, salientando causas e efeitos que para nós passam constantemente despercebidos, mas que, para eles, são fatores altamente determinantes: a influência que exercemos uns sobre os outros através das correntes de pensamentos; a ininterrupta ação dos espíritos desencarnados sobre a vida daqueles que ainda transitam na carne; o estado de consciência a que nos deparamos segundo os apegos, vícios ou virtudes a que nos entregamos em vida; as próprias reflexões do ser em vias da eternidade…
Uma vez que conferimos a realidade da vida após a morte, em suas múltiplas expressões, torna-se impossível nos mantermos alheios às perspectivas esclarecedoras que surgem, senão voluntariamente presos à ignorância sobre nossa própria natureza. As reflexões acerca das graves consequências da eutanásia ao indivíduo, na família e na vida total, encontram-se entre os chamados de nossa Era, convidando-nos a harmonizar diretrizes sociais com o equilíbrio intelecto-moral que nos é possível adquirir.

Autor: Alexandre Fontoura dos Santos

Manifesto contra o aborto – Posição oficial dos médicos da AMERGS

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Prezado senhores

Recebi a notícia através da mídia quanto a circular 46/2012 onde informa que  “Por maioria, os Conselhos de Medicina concordaram que a Reforma do Código Penal, que ainda aguarda votação, deve afastar a ilicitude da interrupção da gestação em uma das seguintes situações: a) quando “houver risco à vida ou à saúde da gestante”; b) se “a gravidez resultar de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida”; c) se for “comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos”; e d) se “por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação”.”
No primeiro momento acreditei que fosse uma notícia falsa, dessas tantas circurlam na internet, dado ao absurdo da proposta. Depois acabei perplexo, como muitos colegas, ao ser confirmada a veracidade da notícia.
Gostaria de trazer alguns questionamentos ao CFM e que elas fossem respondidas.
Primeiramente me senti desrespeitado pelo CFM ao tomar essa medida de apoio a  Reforma do Código Penal Brasileiro (PLS 236/2012) sem um debate a nível nacional envolvendo todos médicos. Principalmente frente a um assunto de tanta magnitude e complexidade.
Segundo, os dados que embasam a decisão não informa as referências científicas e desconsideram os dados técnicos mais atuais, em especial os estudos realizados que demonstram que a legalização do aborto não diminuiu a mortalidade materna. Além disso a posição tomada pelo CFM atenta contra um dos mais importante papéis do médico que é de defender a vida, principalmente a mais frágil, aquela que não pode se defender sozinha.

        É lamentável que o CFM entre nessa tentativa se criar fato político que favoreça a descriminalização do aborto no Brasil. Além das pesquisas demonstrarem que a maioria esmagadora da população brasileira é contra o aborto, as justificativas e argumentos em sua defesa não encontram respaldos científicos, sendo em sua maioria superficiais, utilitaristas e baseados em interesses econômicos.

        As estratégias que buscam confundir a população e evitar o debate dentro dos critérios científicos são inúmeras. Uma delas foi a criação do termo “pré-embrião” em 1986 por Anne McLaren, para designar os embriões que ainda não haviam sido implantados no útero e assim tentar justificar métodos abortivos de interrupção da gravidez. Entretanto, o fato é que para a ciência médica a vida inicia com a fecundação, não existindo dúvidas quanto a isso. Em todos os livros de embriologia médica encontramos que a vida começa com a fecundação não havendo distinção em qualquer de sua fase:

 

“A maioria do nosso grupo não conseguiu encontrar, entre a fecundação e o nascimento, um ponto no qual fosse possível dizer: aqui não está uma vida humana”.[1]

“Médicos, biólogos e outros cientistas concordam que a concepção marca o início da vida do ser humano – um ser que está vivo e é membro da nossa espécie. Sobre este ponto existe uma concordância esmagadora num sem-fim de artigos científicos na área de medicina e da biologia.” (97th Congress, 1st Session)[2]

  

        A fase de zigoto, o embrião, feto, passando pelo nascimento até chegarmos à fase adulta fazem parte da nossa evolução ontogenética. Embora essas fases de desenvolvimento sejam divididas é sempre o mesmo indivíduo igualmente identificável biologicamente ao longo de toda a sua existência, sendo um ser único e distinto: “O tipo genético – as características herdadas de um ser humano individualizado – é estabelecido no processo da concepção e permanecerá em vigor por toda a vida daquele indivíduo” (Shettles e Rorvik)[3].  Portanto, em qualquer fase em que ocorrer a interrupção do processo embriológico a partir da fecundação será sempre um aborto.

        Outro argumento utilizado é que o aborto é uma questão de saúde pública já que sua legalização evitaria inúmeras mortes maternas supostamente causadas pelo aborto ilegal, ao mesmo tempo em que daria a mulher o direito de escolha. A tese que o aborto clandestino é uma das grandes causas da mortalidade materna não tem respaldo científico e nem das próprias estatísticas do Ministério da Saúde, ao contrário, o aborto legalizado é que é uma das maiores causas de mortalidade materna.  Embora a maior parte das mortes relacionadas com o aborto legal não sejam classificadas oficialmente como tal, ele é constatado como a quinta causa de morte materna no E.U.A. Um estudo finlandês de 1997 bem documentado, financiado pelo Governo, mostrou que as mulheres que abortam têm quatro vezes maior probabilidade de morrer no espaço de um ano do que as mulheres que dão à luz.[4]

        Recentemente a revista científica PLOS ONE publicou um artigo intitulado “Women’s Education Level, Maternal Health Facilities, Abortion Legislation and Maternal Deaths: A Natural Experiment in Chile from 1957 to 2007”, demonstrando que a legalização do aborto não diminuiu a mortalidade materna, contrariando o argumento invocado em favor da legalização do aborto. O estudo evidenciou que a causa da mortalidade está vinculado ao nível educacional das mulheres e dificuldades de atendimento médico. [5]  

        O Journal of American Physicians and Surgeons (Revista de Médicos e Cirurgiões dos Estados Unidos) publicou um estudo realizado por Patrick Carrol intitulado “A Epidemia do Câncer de Mama” onde se demonstra que o aborto “é um dos principais responsáveis pelo do câncer de mama“.[6] O estudo também demonstra que o aborto antes do nascimento do primeiro filho é altamente cancerígeno.

        O Dr. Joel Brind, diretor do Instituto de Prevenção do Câncer de Mama em Nova Iorque, um dos maiores especialistas na relação entre o aborto e o câncer de mama, realizou uma meta-análise de 23 estudos publicados sobre o assunto, 18 dos quais documentam uma relação entre o aborto e o câncer de mama.[7]

        De acordo com o livro Breast Cancer (Câncer de mama), do Dr. Chris Kahlenborn, a mulher que realiza um aborto tem 2 vezes mais probabilidade de sofrer o câncer de mama.[8]

        Karen Malec, Presidente da Coalition Abortion/Breast Cancer (Coalizão do Câncer Aborto/Mama) comentou o estudo e indicou que “já é tempo dos cientistas admitirem publicamente o que privadamente já sabem entre eles: que o aborto incrementa os riscos de contrair câncer de mama. Também é tempo para que detenham as investigações tergiversadas para proteger os estabelecimentos médicos de julgamentos maciços contra as práticas médicas”.[9]

        Estatísticas disponíveis sugerem que cerca de 10 mulheres morrem todos os anos de gravidez ectópica relacionada ao aborto.

        Portanto, o aborto, além de ser uma grande violência contra a vida da criança, é também contra a mulher. Ele é responsável por inúmeros traumas às mulheres que o praticam.  Infelizmente a esmagadora maioria desconhece os efeitos prejudiciais psicológicos e físicos do aborto, havendo poucas informações sobre o assunto e um nítido interesse em escondê-los.

        Um estudo realizado nos Estados Unidos (EUA) pela Dra. Priscilla Coleman, professora de Desenvolvimento Humano e Estudos Familiares da “Bowling Green State University”, com 1.000 adolescentes com gravidez inesperada constatou que as adolescentes que procederam ao aborto manifestaram cinco vezes mais necessidade de ajuda psicológica do que as que tiveram seus filhos.[10] Outro estudo similar publicada em Londres no “Journal of Child Psychiatry and Psychology realizado pelo psicólogo e epidemiologista David Fergusson com 1.265 mulheres, das quais 500 engravidaram pelo menos uma vez aos 25 anos, 90 delas interromperam a gravidez através do aborto. Destas, 42% sofreram depressão, tendências suicidas, abuso de drogas e álcool, demonstrando que é o aborto e não a gravidez que causam problemas mentais.[11]

        Em outro estudo, Coleman observou uma relação entre abuso e maus tratos infantis 2,4 vezes maiores por mães que se submeteram a um aborto induzido na sua vida pregressa. As Mulheres que abortam consomem álcool e drogas para superar trauma apresentando cinco vezes mais probabilidades de consumir drogas e álcool do que uma mulher que não abortou.  Logo, ao contrário do que dizem os apologistas do aborto que é melhor para a mulher dar cabo de filhos “não desejados” ainda intra-útero, do que tê-los, o aborto acarreta em maior risco de violência para com outros filhos “desejados” que essa mulher possa vir a ter alongo de sua vida. As evidências demonstram que o sofrimento para manter a gravidez ”não desejada” é muito menor ao trauma psíquico que o aborto provoca. As incompreensões e críticas da sociedade passam, assemelham-se a um barulho produzido por uma notícia que se espalha e perde-se, mas um aborto fica gravado na história e na psique da mulher para sempre. [12]

        A situação é tão grave devido às conseqüências danosas provocadas pelo aborto à saúde mental nos países onde ele foi legalizado que o Royal College of Psychiatrists, a associação dos psiquiatras britânicos e irlandeses, após afirmar que as mulheres que abortam arriscam a ter graves problemas de saúde mental, como a depressão profunda, alertaram que a mulher deve ser comunicada para os riscos caso opte pela interrupção da gravidez. [13]

        Com esses dados caem por baixo os argumentos utilizados para justificar qualquer razão psicológica para a interrupção da gravidez, assim como também não existem justificativas médicas para a interrupção da gravidez normal.

        O aborto provocado é um procedimento traumático com repercussões gravíssimas para a saúde mental da mulher e que geralmente aparecem tardiamente.

        O aborto produz um luto incluso devido à negação da ocorrência de uma morte real, mas esse aspecto é totalmente desconsiderado.

        As mulheres sofrem uma perda e suas necessidades emocionais são relegadas ou escondidas. Elas não conseguem vivenciar o seu luto e lidar com a culpa. Esse processo vai gerar profundas marcas e favorecer o surgimento da Síndrome pós-aborto (PAS).

        O psiquiatra Tonino Cantelmi e a psicóloga clínica Cristina Carace, responsáveis pelo Centro para Tratamento da Síndrome Pós-Aborto com sede em Roma na Itália, publicaram uma matéria chamando a atenção para o aumento dos transtornos psicológicos como repercussões do aborto provocado.  Eles afirmam que os efeitos psicológicos do aborto “são extremamente variados e não parecem estar determinados pela educação recebida ou pelo credo religioso”.

        Esclarecem que «A reação psicológica ao aborto espontâneo e ao aborto involuntário é diferente»; está relacionada com as características de cada um desses dois sucessos: “o aborto espontâneo é um evento imprevisto e involuntário, enquanto o IVE (aborto provocado interrompendo o desenvolvimento do embrião ou do feto e extraindo-o do útero materno) contempla a responsabilidade consciente da mãe” e que “O vínculo mãe-feto começa imediatamente depois da concepção, também nas mulheres que projetam abortar, enquanto os processos psicológicos substantivos a esta relação precoce são inconscientes e vão além do controle consciente da mãe.”[14]

        Aqueles que defendem o aborto afirmam que a admissão da culpa não é necessária e que se uma mulher se sente culpada é porque alguém “colocou a culpa nela”, mostrando uma profunda falta de entendimento dos aspectos psicológicos envolvidos e da real complexidade do ato abortivo, que aliado ao discurso em defesa do aborto, leva a uma negação ou uma projeção desses fatores. O fato é que as próprias mulheres que se submeteram ao aborto afirmam que a culpa não foi gerada de fora para dentro, infundida nelas por outras pessoas ou pela religião, ao contrário, ela surgiu e cresceu em seu mundo íntimo a partir do ato abortivo. 

        Os problemas emocionais gerados pelo aborto são tão graves, que em muitos países onde ele é legalizado, foram criadas, pelas próprias mulheres vitimadas pelo aborto, associações como a Women Exploited by Abortion (Mulheres Exploradas pelo Aborto) nos EUA, e a Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) na Espanha,  que orientam e alertam sobre as conseqüências prejudiciais do aborto.

        O aborto não é definitivamente uma “solução fácil” como afirmam muitos, mas um grave problema, um ato agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.

        Nos estados Unidos muitas mulheres perceberam estes fatos, e formaram a Coalisão Nacional de Mulheres pela Vida (National Women’s Coalition for Life).

        Gosto de trazer o exemplo dessas organizações femininas para refutar aqueles argumentos que dizem que para o homem é fácil ir contra o aborto. As mulheres, na verdade, são as principais vítimas e as que mais lutam contra o aborto.

        Os casos relatados por essas mulheres são surpreendentes e servem de profundo alerta aos que defendem a legalização do aborto.

        Um dos relatos encontrados é de Maria Esperanza Puente que abortou há mais dez anos o seu segundo filho numa clínica espanhola. Até hoje ela sofre da síndrome pós-aborto e afirma: “Sou porta-voz das vítimas do aborto porque sou vítima. Nunca ninguém me informou das conseqüências psicológicas que ia sofrer após abortar”.[15]

        Puente diz que embora passado tanto tempo ainda não consegue esquecer o trauma sofrido: “As meninas mais jovens, lembro que choravam baixinho, sem fazer ruído. Ninguém comentava nada com ninguém e reinava o silêncio, quando no seu interior gritava muito forte: não quero! Mas são gritos de afogados, que não escuta nem quem está ao lado, só nós ouvimos”, relatando o que acontecia na clínica abortista. Puente entrou na sala de cirurgia para que lhe praticassem a intervenção que segundo ela foi “rápida e muito agressiva” e recorda: “o curioso é como antes do aborto não lhe deixam ver a tela da ecografia, se por acaso nos arrependemos quando já estamos na maca, dá no mesmo… Eu estava olhando para o teto dizendo pare! Mas sem gritar. Queria sair a correndo dali, mas não pude.” Maria Esperanza Puente lembra que o seu filho “foi colocado num recipiente de cristal e deixado ao lado, sendo visto, em seguida a enfermeira leva o pote. Nesse momento é como se lhe arrancassem com ele a vida”. Ao se referir à síndrome pós-aborto, Puente assegura que não consegue se perdoar e esquecer, revivendo o aborto em qualquer situação: “Algumas jovens vêem uma criança de quatro anos, que é a idade que deve ter o seu filho, e se põem a chorar”.

        Nesse período só a Associação de Vítimas do Aborto lhe prestou ajuda. “Os médicos do Estado não oferecem ajuda, o Estado não informa, os meios de comunicação manipulam. Lançam a mensagem de que abortar é liberdade, é progresso, de que não faz mal”, afirmou Puente.

        Como esses existem inúmeros relatos feitos por mulheres vitimadas pelo aborto. Para servir de base ao nosso estudo, vou descrever mais um caso que foi divulgado pela Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) da Espanha. A mulher identificada como Lúcia L. ficou grávida aos 17 anos de idade e abortou quando estava com seis meses de gestação: “Não nos explicaram nada mais sobre o desenvolvimento fetal, o procedimento, a duração da operação, riscos físicos e psicológicos, só que era com anestesia geral e que era muito simples”, lembrou. O relato é estremecedor… “Não sei como meu filho morreu, se o mataram na sala de cirurgia, ou se nasceu vivo e o deixaram morrer depois, não sei”, relata. A mulher confessa que “dos 17 aos 23 anos esqueci tudo, acredito que era muito forte e minha mente bloqueou em um mecanismo de negação. Em minha casa não se voltou a falar disso, nem com meu namorado que agora é meu marido. Aos 23 anos comecei a passar mal, com ansiedade, depressão e transtornos da alimentação, mas nunca atribuí ao aborto, não reconhecia que alguém tivesse morrido naquele dia. Com essa idade eu pensava que se meu filho nascesse, este era um bebê, mas que se não nascesse, não era um ser vivo ainda e não podia acreditar que um médico fosse capaz de matar alguém ou de fazer algo que te prejudicasse. Eu pensava que se pudesse fazer, o aborto não podia ser errado. Lúcia relata que visitou psicólogos “dos 23 anos até os 28; nenhum soube me dizer o que acontecia com o pesar que eu sempre contava do aborto. De repente, um dia falando com meu namorado da possibilidade de nos casarmos e sermos pais, tudo estalou: compreendi que tinham matado meu filho e que meu filho tinha morrido”.[16]

        Os relatos de Maria Esperanza Puente e de Lúcia descrevem bem a síndrome pós-aborto. São mulheres que tentaram ignorar os efeitos do aborto e acabam provocando o surgimento tardiamente dos sintomas emocionais e de difícil solução.

        Entretanto, nada disso é dito às mulheres que vão abortar, sobre os muitos efeitos prejudiciais psicológicos e físicos do aborto.

        Muitos dos que defendem o aborto argumentam que o aborto deveria ser uma escolha para a mulher, quando na verdade, a grande maioria das mulheres que abortam o faz por não ter escolha, por não receberem o apoio e o auxílio necessário para manter a gravidez. Muitas delas são levadas ao aborto por falta do apoio da família, pela pressão da sociedade ou imposição do seu companheiro.

        Estudos de mulheres que fizeram aborto, (veja, por exemplo, o livro do Dr. David Reardon, Aborted Women, Silent No More)[17], mostram que o aborto não é uma questão de dar a mulher uma “escolha”. É, tragicamente, uma situação em que as mulheres sentiram que não tinham NENHUMA ESCOLHA, sentiram que ninguém se importava com elas e com seu bebê, dando-lhes alternativa alguma a não ser o aborto. A mulher se sente rejeitada, confusa, com medo, sozinha, incapaz de lidar com a gravidez – e, no meio disto tudo, a sociedade lhe diz, “Nós eliminaremos o seu problema eliminando o seu bebê. Faça um aborto. É seguro, fácil, e uma solução legal”. E é exatamente nesses países em que o aborto foi legalizado onde existem os maiores índices de ocorrências graves de problemas físicos e Síndrome Pós-Aborto.

       O valor de uma sociedade se mostra pela sua capacidade de amparar os mais fracos!

        Espero que o CFM responda aos meus questionamentos ao mesmo que reveja a sua posição que tem gerado tanta indignação entre nós os médicos pela forma como foi conduzido essa questão.

        Gilson Luis Roberto – Médico (autor da carta)
        CRM/RS 18.749

        Todos os demais médicos da AMERGS subscrevem-na.

        

 

REFERÊNCIAS

 


[1] Willke & Willkke, Handbook on Abortion 1971,1975,1979 Editions, Ch 3, Cincinati: Hayes Publishing Co.

 

[2] Cf Report, Subcommittee on Separation of Powers to Senate Judiciary Committee S-158, 97th Congress, 1st Sessio 1981, p.7.

[3] Cfr. Landrum B. Shettles, MD, and David Rorvik, “Human Life Begins ai Conception”, em “Rites of Life”, Grand Rapids (MI), Zondervan, 1983, Cfr Pastuszek, “Is Fetus Human?” p.5.

 

 

[4] “The Post-Abortion Review”, Vol. 8, No. 3, Jul.-Set. 2000 Elliot Institute, PO Box 7348, Springfield, IL 62791-7348

 

[5] KOCH, A. e colaboradores. “Women’s Education Level, Maternal Health Facilities, Abortion Legislation and Maternal Deaths: A Natural Experiment in Chile from 1957 to 2007”. Revista Digital PLOS ONE. Artigo acessado em  http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0036613

 

[6] WASHINGTON DC, (ACI). Estudo revela que aborto é principal causador do câncer de mama. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11487. Para ver o estudo, em inglês, acesse: http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf

 

[7] Brind, Joel. Early Reproductive Events and Breast Cancer: A Minority Report.  Acessado em http://www.bcpinstitute.org/nci_minority_rpt.htm

 

[8] Kahlenborn, Chris. Breast Cancer: Its Link to Abortion and Birth Control Pill. OMS: Dayton, EUA, 2000

[9] WASHINGTON DC, (ACI). Estudo revela que aborto é principal causador do câncer de mama. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11487. Para ver o estudo, em inglês, acesse: http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf

 

[10] Moura, Emanuelle Carvalho. Aspectos Psicológicos decorrentes do aborto. http://providafamilia.org/site/_arquivos/2008/325__aspectos_psicologicos_decorrentes_do_aborto_em_gravidez.pdf

 

[11] SPRINGFIELD, 25 Jan. 06 (ACI).- Mulheres que abortaram consomem álcool e drogas para superar trauma. http://www.defesadavida.com.br/noticias_100206.htm

 

[12] Moura, Emanuelle Carvalho. Aspectos Psicológicos decorrentes do aborto. http://providafamilia.org/site/_arquivos/2008/325__aspectos_psicologicos_decorrentes_do_aborto_em_gravidez.pdf

 

[13] ANSA. Psiquiatras Afirmam que o Aborto Causa Risco à Saúde Mental da Mulher. http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/rubriche/entrevistas/20080316165334616131.html

 

 

[15] Associação Portuguesa de Maternidade e Vida. ESPANHA: Mulher que abortou o seu segundo filho vira líder pró-vida.  http://www.maternidadevida.org/noticias.php?id=328

 

[16] AVA (Asociación de Víctimas del Aborto).  Lucía L., española: “Yo aborté con 26 semanas de embarazo en el centro de abortos El Bosque en Madrid” Disponível em: http://www.noticias.info/archivo/2006/200611/20061101/20061101_236581.shtm

 

 

[17]  Reardon, D. Aborted Women: Silent No More, Chicago, Loyola University Press, 1987